terça-feira, março 13, 2007
sábado, março 03, 2007
A História explica (2)
Leia antes a postagem anterior
Só para lembrar: Os trechos a seguir também são do livro Stalin, triunfo e tragédia, volume 1 (1879-1939), de Dmitri Volkogonov (1928-1995), coronel-general do exército soviético e oficial da arma de propaganda que teve total acesso aos arquivos do Partido Comunista da URSS.
Estilo e forma de gestão
Stalin concordou com o extermínio de pessoas, evidenciando excepcional e aterradora falta de sentimentos. Listas imensas de indivíduos e grupos eram a ele enviadas.
(...) ele sancionou a execução de seu ex-assistente, A. Nazaretyan, do ex-secretário de Lênin, N. Gorbunov, de seu amigo e ex-secretário do comitê executivo central, A. Yenukidze, de A. Kosarev, a quem ele mesmo descrevera como "líder autêntico da juventude," de seu próprio tutor filosófico, Jan Sten, de A. Solts, com quem partilhou a clandestinidade pré-revolucionária, de Semen Uritsky, oficial de informações por ele muito considerado, de L. Karakhan, ex-vice-comissário do povo de Relações Exteriores, que o Secretário-Geral apresentava como exemplo para os outros, de Ya. Agranov, um chekista e antigo amigo, de A. Bubnov, ao lado de quem cumpriu as ordens de Lênin durante a guerra civil, de I. Vareikis, "um bolchevique duro," em suas próprias palavras, e concordou com a prisão de G. Broido, seu ex-vice no comissariado para as Nacionalidades.
A liberdade não tinha grande prioridade no credo bolchevique.
Caráter impiedoso
O fluxo constante de relatórios, que se transformou em avalanche, teria afetado o moral de qualquer pessoa, aterrorizando-a e abalando-lhe o íntimo. Stalin, no entanto, no auge da repressão, não deixou de ir ao teatro, de assistir filmes em sua dacha, de receber os comissários, de expedir decretos e outros documentos, de organizar ceias à meia-noite, de ditar cartas, de comentar os artigos do Pravda e do Bolshevik. Mesmo que acreditasse piamente que o terror estava eliminando inimigos reais do povo, ainda assim surpreende ao extremo sua falta absoluta de sentimentos e sua crueldade. Ele ficava observando enquanto Ulrikh assinava centenas e centenas de sentenças de morte com total indiferença, um juiz desprovido de emoções, ideal para Stalin e componente vital da guilhotina.
Stalin criou uma imagem idealizada de que não sabia de nada...
Stalin também se preocupou bastante para que seu nome não aparecesse sancionando as "punições de mais alto grau." Existem muitas cartas endereçadas a ele, bem como a Voroshilov, Molotov e outros, implorando clemência. Todos os que escreveram tais cartas pereceram. Uma vez que elas eram freqüentemente lidas sem que fossem rubricadas ou assinadas, Stalin deve ter optado por proferir oralmente sua decisão e, em alguns casos, não autorizar em absoluto a revisão de um caso, de vez que a sorte do solicitante já estava de qualquer forma decidida. Foi esta ocultação de seu papel que levou à lenda, ainda hoje vigorante, de que "ele nada sabia" da repressão. Somente a ignorância da situação real pode explicar a ingenuidade de D.A. Lazurkina, uma bolchevique da velha-guarda, que disse no XXIIo. Congresso, em 1961, que, durante todo o tempo em que esteve na prisão ou em campos de concentração, jamais blasfemou contra Stalin: "Ao longo de todo aquele período, defendi Stalin, a quem outros presos e companheiros acusavam. Eu dizia para eles: 'Não, não é possível que Stalin tenha permitido o que está acontecendo no partido. Não é possível.'"
Cartas para a redação...
A História explica
Os trechos a seguir são do livro Stalin, triunfo e tragédia, volume 1 (1879-1939), de Dmitri Volkogonov (1928-1995), coronel-general do exército soviético e oficial da arma de propaganda que teve total acesso aos arquivos do Partido Comunista da URSS. Li-o e recomendo os dois volumes a todos.
(Em itálico esclarecimentos que eu acrescentei.)
Início
Nasceu em 1879, filho de um sapateiro que bebia demais e de mãe analfabeta.Em 1917, aos 37 anos de idade, morava
Durante o período imediatamente após a revolução de 1905, alguns dos membros mais radicais da ala bolchevique indicam que "o militante caucasiano Djugashvili (Stalin)" participou de diversos roubos, se não diretamente, pelo menos como um dos organizadores. Em especial, Martov assevera que o ataque particularmente audacioso, em 1907, aos cossacos que faziam a escolta de um carregamento de dinheiro em Tiflis "não daria certo sem Stalin." Roubaram cerca 1 de 300 mil rublos. Martov escreveu: "Os bolcheviques caucasianos se envolveram em diversas e ousadas empreitadas de natureza expropriatória: o sr. Stalin sabe disso e ele foi certa vez expulso do partido por seu comprometimento em expropriações."
Formação
Chegava (Stalin) aos quarenta anos de idade e seu futuro permanecia nebuloso. Não tinha qualquer qualificação ou experiência profissional, praticamente não trabalhara um dia sequer. Durante trinta anos, o país e o partido seriam governados por um homem sem profissão e sem habilitações, a menos que seja considerada profissão a meia-formação de padre. Molotov, pelo menos, completou o curso secundário, e Malenkov, que largou a universidade, desde cedo revelou-se um apparatchik assíduo da máquina do partido. Stalin, diferentemente de Kaganovich, era incapaz de consertar até um par de sapatos. O espaço para "profissão ou habilitação" dos formulários policiais era sempre preenchido com "empregado de escritório."
E Stalin chega lá...
A despeito de suas "imperfeições", Stalin tinha algo que faltou aos outros, isto é, a possibilidade de usar o aparelho do partido ao máximo em benefício próprio. O aparato era, na sua visão, o instrumento ideal do poder. E nem todos os bolcheviques tinham ouvido o alerta de Lênin sobre Stalin.
“Tendo se tornado Secretário-Geral, o camarada Stalin concentrou ilimitado poder em suas mãos, e não estou muito certo de que ele sempre usará tal poder com cuidado suficiente.” Lênin, Carta ao Congresso
Por que era poderoso?
De onde provinha o "ilimitado poder" do Secretário-Geral? Ele era responsável por todos os problemas correntes, muitos deles de interesse vital para o partido. Mas seu poder principal resultava de ter o comando da seleção e promoção de membros do partido para o centro e para as localidades. Isso significava milhares de membros. De início, a maioria das pessoas não viu as possibilidades ligadas à distribuição de funcionários do partido. Stalin, no entanto, logo fez a conexão entre aparato e partido.
sexta-feira, março 02, 2007
Aliás, no meio do caminho tinha...
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond
domingo, fevereiro 25, 2007
Quando crescer quero ser M de B! (2)
leituras não era a beleza das frases, mas a doença
delas.
Comuniquei ao Padre Ezequiel, um meu Preceptor,
esse gosto esquisito.
Eu pensava que fosse um sujeito escaleno.
- Gostar de fazer defeitos na frase é muito saudável,
o Padre me disse.
Ele fez um limpamento em meus receios."
Manuel de Barros
.
domingo, fevereiro 11, 2007
Carnaval e Jazz juntos
Mas cresceu demais. Hoje pela manhã sai cedo e voltei antes das 10h, pois a Jardim Botânico está cheia de banheiros químicos, gente estranha vendendo cerveja em isopores imensos, concentração ainda começando e alguns já bêbados (não vão nem sair do Jóia!).
O carro de som já está tocando músicas(?) ensurdecedoras.
Catadores de lata vasculham a rua, e não dá nem tempo do folião acabar de beber e o cara já tá pedindo a latinha.
Vai ser como no ano passado...
Estou a quase 1 km da rua Jardim Botânico, mas ouço ao longe o ruído do carro de som e do pessoal uivando junto.Devem seguir do Jóia até a praça Santos Dumont
(praça do Jóquei), onde a folia termina.
foto Eva Hocks Os moradores já estão encurralados, pois carro agora só passa depois que acabar o desfile, lá para 15 ou 16h. No ano passado, ao término do desfile, bandos de foliões "invadiram" o Shopping da Gávea, na rua Marquês de São Vicente, e usaram os sanitários para devolver o que haviam bebido. E como não havia pinico para todos, muitos fizeram xixi nos corredores, sem que a segurança desse conta de afastá-los. O próprio Jardim Botânico teve que fazer uma faxina interna depois que o bloco passou, pois jogaram garrafas, latas e outras coisas pelas grades da frente!
Ainda bem que os odores do desfile não chegam até aqui,
só aquele chiado do carro de som.
Mas e o jazz? Ah, janelas fechadas, ar condicionado ligado e o terceiro volume da coleção Jazz: um filme de Ken Burns em DVD. Afinal, um pouquinho de Duke Ellington, depois Dizzie, Bird, Brubeck e Miles reconforta qualquer um. Tá bom, reconforta alguns. Os outros desceram a rua para pular com o Suvaco.
Alôoo Suvaco...
Alô Miles Davis, alô Charlie Parker!.
Jazz gostoso na véspera do carnaval
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Standards do jazz tocados sem improvisos em excesso, como ressaltou o Szpilman, e platéia que entende do assunto e gosta de ver músicos amadores tocando feito grandes profissionais.A surpresa da noite foi o gaitista Otávio Castro, filho de Everardo Magalhães Castro, (advogado, ex-deputado) pianista de jazz e compositor clássico, e um dos fundadores do Clube de Jazz e Bossa dos anos 50 e 60 no Rio
(do qual fui sócio).
A dose será repetida no sábado dia 17 no Armazém Digital de Itaipava (Shopping Estação de Itaipava). Vou.
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.sábado, fevereiro 10, 2007
GRP all-stars live
Gente, um DVD ficou perdido na foto da postagem anterior, entre o Lush Life e o Keith Jarrett no Open Theater: é o GRP All-stars live, gravado em 1985 em Los Angeles.
.Antes Que Seja Tarde
Com força e com vontade
A felicidade há de se espalhar
Com toda intensidade
Háa de molhar o seco
De enxugar os olhos
De iluminar os becos
Antes que seja tarde
....
Há de rasgar as trevas
E abençoar o dia
E de guardar as pedras
Antes que seja tarde
...
Há de mudar os homens
Antes que a chama apague
Antes que a fé se acabe
Antes que seja tarde.
.
Para o sábado ser mais ameno
filmes sobre jazz, concertos com Bill Evans,
Keith Jarrett, concertos no Carnegie Hall...
Mas esta é uma recomendação muito boa:
Nos comentários da Amazon, um cara escreveu:- Lush Life is simply the best Jazz-driven movie ever made.
Se puder assití-lo, não deixe de.
Ambientado em Nova Iorque, tem mais jazz tocado do que qualquer outra coisa: ensaios, shows, festas de casamento, música no museu. E uma festa ao final que é de babar...
Forest Whitaker e Jeff Goldblum convencem como músicos que vivem de um ensaio para outro, gravação de comerciais, festas etc. E Kathy Bates está ótima como sempre (dublada por Sue Raney quando canta). Jack Sheldon, um trompetista da pesada, faz um papel como Norman. E os fantásticos arranjos são de Lennie Niehaus, que foi arranjador da orquestra de Stan Kenton, e que ganhou o Emmy de 1994 com as músicas deste filme. Lennie é o arranjador preferido do Clint Eastwood (em filmes como The bridges of Madison County e Bird, este sobre a vida de Charlie Parker).
Tá de bom tamanho, né gente?
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terça-feira, fevereiro 06, 2007
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
Para a semana inteira ser boa
OU ISTO OU AQUILO
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
Quem sobe nos ares não fica no chão,
Quem fica no chão não sobe nos ares.
É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!
Ou guardo dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e não guardo o dinheiro.
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
Cecília Meirelles
desenho de Apard Szènes
.
Para começar bem a semana
Desejo a você...
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de Amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um velho chinelo
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel...
E muito carinho.....
quinta-feira, janeiro 25, 2007
25 de janeiro devia ser Feriado Nacional

Regendo a natureza!

Chico Buarque na música "Paratodos":"O meu pai era paulista
Meu avô pernambucano
O meu bisavô mineiro
Meu tataravô baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro..."
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sexta-feira, janeiro 19, 2007
Uma manhã radiante
Entrei pelos fundos, portão da rua Pacheco Leão
(apenas para quem é sócio da Associação de Amigos do JB).
Novo Bromeliário ao fundo.

A fonte.
Passadinha obrigatória: Salve, maestro!
Na volta para o portão dos fundos, um jacú!
Pronto, quarenta minutos de caminhada, refeito para a vida!Voltar para casa, pois o pôr-do-sol de hoje
lá na varanda pode repetir o de ontem.
sábado, dezembro 23, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
Fugindo da mediocridade (2)
Traduzir-se
Ferreira Gullar
Uma parte de mim é todo mundo:
outra parte é ninguém: fundo sem fundo.
Uma parte de mim é multidão
outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa, pondera
outra parte delira
Uma parte de mim almoça e janta:
outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem:
outra parte, linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
— que é uma questão de vida ou morte —
será arte?
Maranhense fantástico. Único defeito: amigo do Sarna.
Mas quem escreve assim pode!
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segunda-feira, dezembro 18, 2006
Como fugir da mediocridade?
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
sexta-feira, novembro 24, 2006
Por falar em Village Vanguard...
Mas tem horas que dá água na boca. Olhem o que aconteceu no Village Vanguard em outubro, o que está acontecendo em novembro e quem tocará em dezembro.
Buáááááá.
Larry Grenadier-b, Jeff Ballard-d
Steve LaSpina-b, Terry Clarke-d
Mike LeDonne-org, Randy Johnston-gtr, Fukushi Tainaka-d
Nov 07 - Nov 12
Peter Washington-b, Kenny Washington-d
Nov 14 - Nov 19
2nd Week!
Peter Washington-b, Kenny Washington-d
Nov 21 - Nov 26
Birth of the Cool Suite
Dec 05 - Dec 10
Chris Potter-sax, Greg Osby-sax, Masabumi Kikuchi-p, Larry Grenadier-b
Dec 12 - Dec 17
David Williams-b, Lewis Nash-d
Dec 19 - Dec 24
Vincent Herring, sax, David Williams-b, Lewis Nash-d
domingo, novembro 19, 2006
Reclamar do quê?


E quando não é isso, Deus é grande!
Tem sempre um vôo de 35 minutos saindo
de Congonhas para o Santos Dumont no final da tarde...
Quer ver com mais detalhes?
Clique AQUI e espere a imagem ser carregada.
Pressione o botão do mouse, mantenha-o apertado e
desloque-o para o lado que preferir.
E também para cima e para baixo.
Recomendado o uso de babador.
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sexta-feira, novembro 17, 2006
Não devia e não me acostumo...
Marina Colasanti
"Eu sei, mas não devia" - Editora Rocco, Rio de Janeiro, 1996
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
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