Pouco, quase nada
Coisas de que eu gosto e divido
sexta-feira, maio 03, 2024
sábado, outubro 07, 2023
domingo, julho 09, 2023
quarta-feira, abril 06, 2022
Children's rhyme
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As I sat under the apple treeA birdie sent his love to me
And as I wiped it from my eye
I said "thank goodness cows can't fly"
.
sábado, abril 02, 2022
segunda-feira, agosto 30, 2021
terça-feira, julho 09, 2019
quinta-feira, abril 04, 2019
Já entendi de ciclismo um dia... (3)
Pedalando de meia noite às 7 da matina...
Sou eu mesmo de boné em primeiro plano na foto.
A reportagem do JB é de 13/04/1984, e fala da medição do percurso da maratona do Rio. Naquele ano, o diretor da maratona de Nova Iorque veio ao Brasil para oficializar o evento e supervisionar a medição do percurso. Ele era também diretor técnico da Associação Internacional de Maratonas, e trabalhou junto com meu contemporâneo de PUC e amigo José Rodolfo Eichler. Para quem não sabe, Eichler é um engenheiro formado na PUC do Rio que vive hoje em São Paulo. É Assessor de Corridas de Rua da Confederação Brasileira de Atletismo e único brasileiro Oficial Internacional de Cross Country e Corridas de Rua. E é o único medidor oficial com grau “A”, dado pela IAAF/AIMS, na Comissão Nacional de Corridas de Rua.
Viaja pelo mundo inteiro como árbitro e conferencista.
Veja se entende onde ele normalmente trabalha:
IAAF delegátusok
Szervezési l Otto Klappert (GER)
Technikai David Bedford (GBR)
Orvosi/dopping Giuseppe Fischetto (ITA)
Sajtó Mark Butler (GBR)
Televíziós Ernest Obeng (GBR)
Zsűri Amadeo Francis (PUR)
Isaiah Kiplagat (KEN)
Irena Szewinska (POL)
Pályahitelesítő Hugh Jones (GBR)
ICRO Dave Cundy (AUS)
Jose Rodolfo Eichler (BRA)
Steifield trouxe os hodômetros Clain-Jones*, a última novidade na época, para adaptar nas bicicletas e medir com precisão o percurso. O Exército fez uma medição a laser na Av. Presidente Vargas, desde a esquina da Rio Branco até perto da Praça da República, e sinalizou com exatidão a distância de 1km. À meia-noite em ponto fizemos o percurso 4 vezes para aferir as bicicletas, e depois partimos para o Leme. Uma e meia da manhã começamos a percorrer o trajeto da maratona (do Leme, passando pelo Santos Dumont até a Perimetral pelo alto, retorno onde hoje é a cidade do samba, volta pelo Aterro, Av. Atlântica até o Leblon e retorno até a chegada no Leme).
A cada quilômetro parávamos e a marcação era feita pela bicicleta que tivesse ido mais longe, simulando as tangenciadas de meio-fio que os corredores fariam durante a prova. Tenho a honra de dizer que minha bicicleta sinalizou todos os marcos, pois os ciclistas profissionais de vez em quando aceleravam, e eu, o único amador, além de mais velho, fazia o percurso mais devagar e pensando o tempo todo como corredor a pé.
Chegamos de volta ao Leme às sete da matina. E ainda tive que pedalar até em casa, no Jardim Botânico. Confesso que naquele dia dormi o resto da manhã e a tarde toda!
* O hodômetro hoje se chama Jones/Oerth counter
José Rodolfo em foto de 2008...
José Rodolfo coordenando medição da 92ª Corrida Internacional de São Silvestre 2016:
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A reportagem do JB é de 13/04/1984, e fala da medição do percurso da maratona do Rio. Naquele ano, o diretor da maratona de Nova Iorque veio ao Brasil para oficializar o evento e supervisionar a medição do percurso. Ele era também diretor técnico da Associação Internacional de Maratonas, e trabalhou junto com meu contemporâneo de PUC e amigo José Rodolfo Eichler. Para quem não sabe, Eichler é um engenheiro formado na PUC do Rio que vive hoje em São Paulo. É Assessor de Corridas de Rua da Confederação Brasileira de Atletismo e único brasileiro Oficial Internacional de Cross Country e Corridas de Rua. E é o único medidor oficial com grau “A”, dado pela IAAF/AIMS, na Comissão Nacional de Corridas de Rua.
Viaja pelo mundo inteiro como árbitro e conferencista.
Veja se entende onde ele normalmente trabalha:
IAAF UTCAI FUTÓ VILÁGBAJNOKSÁG DEBRECEN
2006. OKTÓBER 8.
EGYÉBIAAF delegátusok
Szervezési l Otto Klappert (GER)
Technikai David Bedford (GBR)
Orvosi/dopping Giuseppe Fischetto (ITA)
Sajtó Mark Butler (GBR)
Televíziós Ernest Obeng (GBR)
Zsűri Amadeo Francis (PUR)
Isaiah Kiplagat (KEN)
Irena Szewinska (POL)
Pályahitelesítő Hugh Jones (GBR)
ICRO Dave Cundy (AUS)
Jose Rodolfo Eichler (BRA)
Steifield trouxe os hodômetros Clain-Jones*, a última novidade na época, para adaptar nas bicicletas e medir com precisão o percurso. O Exército fez uma medição a laser na Av. Presidente Vargas, desde a esquina da Rio Branco até perto da Praça da República, e sinalizou com exatidão a distância de 1km. À meia-noite em ponto fizemos o percurso 4 vezes para aferir as bicicletas, e depois partimos para o Leme. Uma e meia da manhã começamos a percorrer o trajeto da maratona (do Leme, passando pelo Santos Dumont até a Perimetral pelo alto, retorno onde hoje é a cidade do samba, volta pelo Aterro, Av. Atlântica até o Leblon e retorno até a chegada no Leme).
A cada quilômetro parávamos e a marcação era feita pela bicicleta que tivesse ido mais longe, simulando as tangenciadas de meio-fio que os corredores fariam durante a prova. Tenho a honra de dizer que minha bicicleta sinalizou todos os marcos, pois os ciclistas profissionais de vez em quando aceleravam, e eu, o único amador, além de mais velho, fazia o percurso mais devagar e pensando o tempo todo como corredor a pé.
Chegamos de volta ao Leme às sete da matina. E ainda tive que pedalar até em casa, no Jardim Botânico. Confesso que naquele dia dormi o resto da manhã e a tarde toda!
* O hodômetro hoje se chama Jones/Oerth counter
José Rodolfo em foto de 2008...José Rodolfo coordenando medição da 92ª Corrida Internacional de São Silvestre 2016:
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quarta-feira, janeiro 30, 2019
Já entendi de ciclismo um dia... (2)
Uma Motobecane dos anos 70.
Se não é a minha, é a do Laurindo Leão.
O máximo para a época, equipamento Campagnolo.
Êta, saudades..
E a colinha que eu levava para as palestras que apresentava nas academias
para os triatletas, que liam Runner e outras revistas de corrida,
mas começaram a comprar revistas de ciclismo e não entendiam nada...
Se não é a minha, é a do Laurindo Leão.
O máximo para a época, equipamento Campagnolo.
Êta, saudades..
E a colinha que eu levava para as palestras que apresentava nas academias
para os triatletas, que liam Runner e outras revistas de corrida,
mas começaram a comprar revistas de ciclismo e não entendiam nada...
terça-feira, janeiro 29, 2019
Já entendi de ciclismo um dia... (1)
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A turma sabia nadar, e já estava dominando as técnicas da corrida. Yllen Kerr, sempre à frente de seu tempo, acabara de publicar o livro Corra para Viver:
Conheci o Werneck em 1963 na praia, no Castelinho. Era apenas uma praia boa,
sem Barril 1800, e frequentada por famílias locais e algumas pessoas de outros
bairros da Zona Sul, como eu. O Werneck estava começando no jornalismo,
e se aproximou do grupo quando nos viu jogando disco (frisbee),
ainda hoje jogado ali perto de onde o fazíamos há mais de 40 anos.
Veja abaixo as indicações no site dos especialistas no esporte.

E aqui eu e a turma jogando o disquinho na década de 60 no Castelinho.
Quando montamos a excursão da PUC à Europa (Jan e Fev 1966), ele me deu dólares
e pediu que lhe trouxesse um par de óculos escuros RayBan, moda na época.
Depois perdemos contato. Soube que ele jogava peladas no campo da família Porto
no Itanhangá, mas as poucas vezes em que lá estive não o vi.
Sua coluna Campo Neutro, publicada no JB (quando ainda era O JB!) tratava de futebol. Mas Werneck começou a se encantar pela corrida, e passei a vê-lo correndo
(tentando, no início...) em volta da Lagoa lá por 1977 ou 78.
Eu saia de casa, da minha ladeira no Jardim Botânico, por volta de 5:45h,
e ia até o a ponta do Leblon, onde um grupo formado pelo Yllen Kerr e
outros ciclistas partia para o Leme via praia (o Yllen na verdade já estava voltando,
pois morava no Leme). Voltávamos para o Leblon e eu voltava para casa,
não sem antes dar a volta da Lagoa e acenar para os madrugadores daquela época,
que eram poucos: o corredor Balthar, o José Rodolfo Eichler, o Edgard, a Lourdes,
o Matheus, o Alexandre de Medicis, o Canabrava, que confeccionou as primeiras
roupas para corrida no Brasil, a turma dos veteranos do remo
e alguns outros como o Werneck.
Campo Neutro, coluna do José Inácio Werneck
em 1983 no Jornal do Brasil
(clique na coluna para ler melhor)
em 1983 no Jornal do Brasil
(clique na coluna para ler melhor)
Quando ele escreveu sobre triatlo na coluna acima, enviei-lhe uma carta
(hoje seria e-mail ou WhatsApp e chegaria um pouco mais rápido...)
fazendo correções sobre sua interpretação da prova. Pronto, passei a ser
"um dos grandes especialistas do ciclismo no Brasil" segundo ele!
Com seu entusiasmo contagiante de sempre, me levava para dar palestras
para triatletas que pouco sabiam sobre a bicicleta e seus segredos:
(hoje seria e-mail ou WhatsApp e chegaria um pouco mais rápido...)
fazendo correções sobre sua interpretação da prova. Pronto, passei a ser
"um dos grandes especialistas do ciclismo no Brasil" segundo ele!
Com seu entusiasmo contagiante de sempre, me levava para dar palestras
para triatletas que pouco sabiam sobre a bicicleta e seus segredos:
Mas de ciclismo pouco entendiam, e eu dizia sempre que quem soubesse pedalar teria mais chances de ganhar o triatlo. E comecei a dar palestras sobre o assunto.
Mas vou falar mais disto em outro post.
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quinta-feira, novembro 01, 2018
sábado, abril 28, 2018
quarta-feira, fevereiro 14, 2018
Texto de Millor Fernandes de 2005
O Lula veio de baixo, é um homem de origem humilde, mas o partido
dele tem 25 anos.
Se não foi no primeiro, no segundo ou no terceiro ano, em
algum momento ele passou
a receber dinheiro, até como forma de salário do PT.
Ora, Lula tem 59 anos. Há 25 anos, tinha 34. Com essa idade ainda se pode ir
para o colégio. Passei mais fome do que ele, a diferença é que eu era carioca.
Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano, minha mãe, quando eu tinha 10, nós descemos
de classe média para proletariado e depois para lumpesinato. Não havia literalmente
o que comer, e nem por isso fiquei me queixando.
Meu pai morreu quando eu tinha 1 ano, minha mãe, quando eu tinha 10, nós descemos
de classe média para proletariado e depois para lumpesinato. Não havia literalmente
o que comer, e nem por isso fiquei me queixando.
Quando passei de
100 para 300 réis de salário, ia para o curso do
Liceu de Artes e Ofícios e pagava para estudar.
Não fiquei esperando o Estado bancar.
Liceu de Artes e Ofícios e pagava para estudar.
Não fiquei esperando o Estado bancar.
domingo, agosto 13, 2017
1954
Salto do bonde na esquina das ruas Pedro Américo e Catete.
Passo pela delegacia da esquina, ando mais dois minutos e chego na entrada do colégio Zaccaria. O reitor está na porta explicando para algumas mães que hoje não haverá aulas, e rapidinho a gente vê um movimento grande mais adiante, no Palácio do Catete. E ficamos sabendo que o Getúlio Vargas morreu.
Oba, tô lá sabendo de política, quero voltar para casa e aproveitar a folga.
Pego o bonde 3, o Águas Férreas, de volta para casa. Próxima parada, depois do ponto em frente à rua Cardoso Júnior, é em frente à casa da família Sauer, onde anos depois ouviríamos nas festinhas de música um magrinho de mãos enormes tocando saxofone: Vitor Assis Brasil.
Na esquina, na casa da família Pullen Parente, que hoje é o Mamma Rosa, o caçula olhava o bonde passar. Era o Pedro. Hoje é presidente da Petrobras.
Próxima parada: em frente ao colégio Sion e da casa onde morou Machado de Assis.
O bonde para a seguir em frente ao casarão da família Bezerra de Mello, que mais parece a Casa Branca. Do outro lado da rua a casa do Rubens Berardo, que foi dono da TV Continental.
E segue o bonde, passando pela Bica da Rainha e pela casa do embaixador Osvaldo Aranha, que presidiu a primeira sessão da ONU em 1947.
O bonde para em frente à igreja de São Judas Tadeu, então uma capelinha que o padre Góes transformou num templo imenso ao longo dos anos. Salto, atravesso e subo a rua Smith de Vasconcelos, onde moro.
Passo pela casa do Paulo Boavista, do banco Boavista, pela casa dos Xavier de Brito, onde padre Góes celebrava missas antes de ter sua capelinha e sigo para casa.
Se tivesse continuado no bonde iria até o final do Cosme Velho, passando pela casa do Austregésilo de Athayde, presidente da ABL, e pela casa do escritor e historiador Marcos Carneiro de Mendonça, a Casa dos Abacaxis. Em 1914, com 19 anos, foi o primeiro goleiro da seleção brasileira de futebol, e era pai da Bárbara Heliodora, que morava em frente, no Beco do Boticário. No final, onde o bonde fazia o retorno, existe hoje o viaduto que une as duas galerias do túnel Rebouças. O local era simples, apenas um boteco e dois prédios baixos. Ao fundo, na rua Cosme Velho, que continua à direita, podíamos ver o muro da casa do Roberto Marinho.
Chego em casa, mudo de roupa e quero descer para brincar com os amigos.
Da janela do nosso apartamento vejo a varanda dos fundos de outra casa da nossa rua, ao lado da casa dos Boavista. Uma jovem senhora desce o varal e pendura uma toalha. Era a Cecília Meirelles.
Passo pela delegacia da esquina, ando mais dois minutos e chego na entrada do colégio Zaccaria. O reitor está na porta explicando para algumas mães que hoje não haverá aulas, e rapidinho a gente vê um movimento grande mais adiante, no Palácio do Catete. E ficamos sabendo que o Getúlio Vargas morreu.
Oba, tô lá sabendo de política, quero voltar para casa e aproveitar a folga.
Pego o bonde 3, o Águas Férreas, de volta para casa. Próxima parada, depois do ponto em frente à rua Cardoso Júnior, é em frente à casa da família Sauer, onde anos depois ouviríamos nas festinhas de música um magrinho de mãos enormes tocando saxofone: Vitor Assis Brasil.
Na esquina, na casa da família Pullen Parente, que hoje é o Mamma Rosa, o caçula olhava o bonde passar. Era o Pedro. Hoje é presidente da Petrobras.
Próxima parada: em frente ao colégio Sion e da casa onde morou Machado de Assis.
O bonde para a seguir em frente ao casarão da família Bezerra de Mello, que mais parece a Casa Branca. Do outro lado da rua a casa do Rubens Berardo, que foi dono da TV Continental.
E segue o bonde, passando pela Bica da Rainha e pela casa do embaixador Osvaldo Aranha, que presidiu a primeira sessão da ONU em 1947.
O bonde para em frente à igreja de São Judas Tadeu, então uma capelinha que o padre Góes transformou num templo imenso ao longo dos anos. Salto, atravesso e subo a rua Smith de Vasconcelos, onde moro.
Passo pela casa do Paulo Boavista, do banco Boavista, pela casa dos Xavier de Brito, onde padre Góes celebrava missas antes de ter sua capelinha e sigo para casa.
Se tivesse continuado no bonde iria até o final do Cosme Velho, passando pela casa do Austregésilo de Athayde, presidente da ABL, e pela casa do escritor e historiador Marcos Carneiro de Mendonça, a Casa dos Abacaxis. Em 1914, com 19 anos, foi o primeiro goleiro da seleção brasileira de futebol, e era pai da Bárbara Heliodora, que morava em frente, no Beco do Boticário. No final, onde o bonde fazia o retorno, existe hoje o viaduto que une as duas galerias do túnel Rebouças. O local era simples, apenas um boteco e dois prédios baixos. Ao fundo, na rua Cosme Velho, que continua à direita, podíamos ver o muro da casa do Roberto Marinho.
Chego em casa, mudo de roupa e quero descer para brincar com os amigos.
Da janela do nosso apartamento vejo a varanda dos fundos de outra casa da nossa rua, ao lado da casa dos Boavista. Uma jovem senhora desce o varal e pendura uma toalha. Era a Cecília Meirelles.
terça-feira, dezembro 20, 2016
domingo, novembro 06, 2016
Frederico Figner
Fred Figner
OS GRAMOFONES
Frederico Figner nasceu em dezembro de 1866 em Milewko, na então
Tcheco-Eslováquia. Ainda muito jovem e buscando ampliar seus
horizontes migrou para os Estados Unidos,
chegando ao país no momento em que Thomas Edison estava lançando um
aparelho que registrava e reproduzia sons por intermédio de cilindros giratórios.
Fascinado pela novidade, adquiriu um desses equipamentos e vários rolos de
gravação, embarcando com sua preciosa carga em um navio rumo a Belém
do Pará, onde chegou em 1891 sem conhecer uma única palavra do Português.
Naquela cidade começou a exibir a novidade para o público, que pagava para
Tcheco-Eslováquia. Ainda muito jovem e buscando ampliar seus
horizontes migrou para os Estados Unidos,
chegando ao país no momento em que Thomas Edison estava lançando um
aparelho que registrava e reproduzia sons por intermédio de cilindros giratórios.
Fascinado pela novidade, adquiriu um desses equipamentos e vários rolos de
gravação, embarcando com sua preciosa carga em um navio rumo a Belém
do Pará, onde chegou em 1891 sem conhecer uma única palavra do Português.
Naquela cidade começou a exibir a novidade para o público, que pagava para
registrar e escutar a própria voz.
O sucesso foi imediato e, de Belém, Fred se dirigiu para outras praças,
O sucesso foi imediato e, de Belém, Fred se dirigiu para outras praças,
sempre com o gravador a tiracolo.
Passou por Manaus, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Salvador antes de
Passou por Manaus, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife e Salvador antes de
chegar ao Rio de Janeiro, no ano seguinte, já falando e entendendo
um
pouquinho do nosso idioma e com um razoável pé de meia.
Na Cidade Maravilhosa, Figner abriu sua primeira loja, a Casa Edison,
em um sobrado da Rua Uruguaiana, onde importava e comercializava
esses primeiros fonógrafos.
Na Cidade Maravilhosa, Figner abriu sua primeira loja, a Casa Edison,
em um sobrado da Rua Uruguaiana, onde importava e comercializava
esses primeiros fonógrafos.
Por essa mesma época o cientista judeu Emile Berliner tinha acabado
de lançar nos Estados Unidos um equipamento de gravação que utilizava discos
revestidos com cera,com qualidade sonora superior ao do aparelho de Thomas Edison.
Fred Figner percebeu de imediato o potencial da nova invenção e transferiu seu
estabelecimento de um sobrado da Rua Uruguaiana para uma loja térrea
na tradicional Rua do Ouvidor, onde abriu o primeiro estúdio de
gravação
e varejo de discos do Brasil, em 1900.
Casa Edison da Rua do Ouvidor
OS PRIMEIROS DISCOS
Os discos fabricados por Figner nessa fase inicial utilizavam cera de carnaúba,
eram gravados em apenas uma das faces e tocados em vitrolas movidas a manivela.
Apesar das limitações técnicas, essa iniciativa representou uma verdadeira
revolução para a música popular brasileira, que engatinhava, pois até então os
artistas só podiam se apresentar ao vivo ou comercializar suas criações por
intermédio de partituras impressas.
O primeiro disco brasileiro foi gravado na Casa Edison pelo cantor
Manuel Pedro dos Santos, o Bahiano,em 1902.
Era o lundu “Isto é Bom”, de autoria do seu conterrâneo Xisto da Bahia.
A partir daí mais e mais artistas começaram a gravar suas composições em
discos que eram distribuídos pela Casa Edison do Rio e também pela filial que
Era o lundu “Isto é Bom”, de autoria do seu conterrâneo Xisto da Bahia.
A partir daí mais e mais artistas começaram a gravar suas composições em
discos que eram distribuídos pela Casa Edison do Rio e também pela filial que
Figner havia aberto em São Paulo.
A procura pelos discos cresceu tanto que em 1913 Fred decidiu instalar uma
A procura pelos discos cresceu tanto que em 1913 Fred decidiu instalar uma
indústria fonográfica de grande porte na Av. 28 de Setembro, Vila
Isabel,
dando origem ao consagrado selo Odeon.
A MANSÃO FIGNER
Fred Figner era um homem à frente do seu tempo e para coroar o sucesso nos
negócios decidiu erguer uma residência que espelhasse seu perfil empreendedor.
A hoje conhecida Mansão Figner, na Rua Marquês de Abrantes 99, no Flamengo,
abrigao Centro Cultural Arte-Sesc e o restaurante Bistrô do Senac.
É considerada um exemplo arquitetônico raro de
“casa burguesa do início do século 20”.
Fred Figner utilizou-a como hospital, em 1918, durante a pandemia
conhecida como Gripe Espanhola.
Apesar dele próprio estar acometido pela enfermidade, atuou como um
Apesar dele próprio estar acometido pela enfermidade, atuou como um
prestativo auxiliar de enfermagem, transformando seu palacete
em uma improvisada enfermaria de campanha que chegou a abrigar quatorze
pacientes em seu interior.
em uma improvisada enfermaria de campanha que chegou a abrigar quatorze
pacientes em seu interior.
Mansão Figner Hoje
RETIRO DOS ARTISTAS
RETIRO DOS ARTISTAS
Fred era um homem generoso e solidário.
Pela própria natureza do trabalho nas suas duas gravadoras havia se
tornadoamigo de muitos músicos e cantores de sucesso.
Em uma época que antecedeu à criação da Previdência,
ficou consternado com a situação de penúria
que alguns desses artistas tinham de enfrentar ao chegar à velhice.
Sensibilizado com esse verdadeiro drama social, não titubeou e decidiu
doar o terreno, em Jacarepaguá, para a construção da modelar instituição
Retiro dos Artistas, que funciona até os dias de hoje.
que alguns desses artistas tinham de enfrentar ao chegar à velhice.
Sensibilizado com esse verdadeiro drama social, não titubeou e decidiu
doar o terreno, em Jacarepaguá, para a construção da modelar instituição
Retiro dos Artistas, que funciona até os dias de hoje.
Retiro dos Artistas em Jacarepaguá
O FINAL
Em 19 de janeiro de 1947, quando faleceu, aos 81 anos de idade, ao se abrir
seu testamento, verificou-se que Fred Figner havia destinado parte substancial dos
seus bens às obras sociais de Chico Xavier.
O jornal carioca A Noite Ilustrada publicou editorial em que o
judeu Frederico Figner foi honrado, post-mortem, com o merecido título de
O jornal carioca A Noite Ilustrada publicou editorial em que o
judeu Frederico Figner foi honrado, post-mortem, com o merecido título de
“o mais brasileiro de todos os estrangeiros”.
Obrigado Danrley
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